Eu escrevi um pé de página sobre as air quotes num manifesto que eu publiquei no Alto-Falante que, na verdade, me pareceu fazer o texto todo menos interessante, meio apagadinho. Quando coloquei o texto no site, eu estava me achando muito polêmica, imaginando que ia receber críticas negativas, gente mandando emails raivosos, DJs querendo a minha morte e coisa e tal. Ledo engano. Os comentários que recebi foram todos positivos, só de amigos, e todos, sem exceção, só faziam menção às aspas no ar.
Pois bem, já que elas fizeram tanto sucesso, decidi fazer alguns esclarecimentos sobre o meu ódio às pessoas que são adeptas a esse tipo de prática e porque um pedaço do meu estômago parece morrer todas as vezes que presencio o gesto.
Como eu disse no tal pé de página, o air quote é da mesma família do air guitar e, embora seja o ancião da casta, é o mais incômodo de todos. E o motivo desse ódio é muito simples. O mundo se divide entre pessoas que optam pelo air guitar e pessoas que optam pelo air quote.
O cara que faz air guitar é um sonhador. Um idealista que acredita na liberdade pela música. É uma pessoa que tem ambições na vida e, mais importante que isso, tem imaginação. Mesmo que essas ambições consistam em tocar um instrumento e montar mais uma banda de música ruim. Mesmo assim, ele está perdoado. Simplesmente porque ele sonha.
Ele é o cara que consegue ouvir os acordes da sua guitarra imaginária. Ele é o cara que, enquanto toca o instrumento invisível, se sente o novo Jimi Hendrix. Ele se coloca em cima de um palco, vivencia os prazeres de ser um rock star, usa drogas, escreve letras revoltadas, quer mudar o mundo e come grupies. E ainda que tudo isso só aconteça na sua cabeça e ele eventualmente acabe se transformando em um assistente de contabilidade, ainda assim, ele tem perdão.
O indivíduo que utiliza as air quotes é aquele assistente de contabilidade que, mesmo tendo desejado tocar guitarra um dia, nunca foi capaz de esboçar um air guitar porque lhe faltou coragem. Porque não teve a capacidade de se expor ao ridículo. A ele falta tanta capacidade de imaginar que, até mesmo quando fala alguma coisa metaforicamente, precisa ilustrar (como se estivesse desenhando para o interlocutor e, consequentemente, rebaixando-o ao seu nível de precariedade intelectual) o sentido figurativo do que está expressando.
Ele desafia a inteligência alheia. Empobrece o sarcasmo. Tira a força da ironia.
E este tipo de gente não tem perdão.
-
Air Quote
Sunday, January 14, 2007
Postado por Dorothy às 10:18 PM | 0 comentários |
-
Fogo e Paixão no Réveillon (ou RenoWando)
Tuesday, January 02, 2007
Eu nunca posto fotos aqui no blog, mas decidi abrir uma exceção porque simplesmente me faltam palavras para descrever a minha festa de ano novo.
Postado por Dorothy às 7:27 PM | 0 comentários |
-
(Just like) Starting over
Thursday, December 28, 2006
Seguindo o exemplo do meu amigo Thales - que recentemente assassinou o seu ótimo blog, o Escuro com sol dentro -, e motivada pelo espírito de renovação do Ano Novo, decidi fazer uma limpeza geral aqui.
A iniciativa é parte do projeto "Pessoa Melhor 2007".
Sim, eu tenho consciência de quão Teletubbie isso soa.
Com o tempo, vou postar de novo as poucas coisas que eu já escrevi aqui que valeram realmente a pena.
Feliz Ano Novo.Postado por Dorothy às 11:28 AM | 0 comentários |
-
Hizbollah
Wednesday, December 06, 2006
Sou só eu ou alguém mais acha que Hizbollah seria um ótimo nome para banda de Axé?Postado por Dorothy às 7:32 PM | 0 comentários |
-
Aos mestres, com carinho
Thursday, November 30, 2006
Depois de muito suor, mau humor matinal, ódio aos Beatles, emails engraçados, lágrimas e incontáveis flertes com a idéia de abandonar o curso, finalmente essa semana consegui o que eu já nem mais acreditava que conseguiria: o diploma universitário.
Foram seis anos tentando me formar em Comunicação Social (que na verdade é Publicidade e Propaganda, mas eu ainda tenho um pouco de vergonha de falar que sou publicitária), e, portanto, gostaria de agradecer a algumas pessoas que foram indispensáveis para prolongar o meu tempo na academia.
Em primeiro lugar, agradeço ao meu professor de Religião 2, por me ensinar que, com a devida força de vontade e desempenho, um analfabeto funcional pode sim se transformar em professor universitário. Em segundo, às minhas duas professoras de Psicologia, uma por me ensinar que, ao contrário do que eu imaginava, compaixão não é uma característica inerente ao terapeuta, e a outra por mostrar as inimagináveis possibilidades de assassínio da língua portuguesa.
A todos os colegas que iluminaram o meu caminho e provaram que, embora a quantidade de alunos seja grande, o nível intelectual da concorrência é bem baixo. E, em último, mas não menos importante, gostaria de fazer uma homenagem especial a um colega de monografia, por provar que o machismo sobreviveu de maneira esplendorosa à virada do século.Postado por Dorothy às 1:50 PM | 0 comentários |
