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  1. Sobre blogs e blogueiros

    Sunday, September 09, 2007

    Bom, este é um post exclusivamente para citar blogs que eu leio sempre.

    O primeiro é o do Guilherme, que foi reativado há pouco tempo, depois de um inverno que durou dois anos. Vale ler tudo o que está na página principal e depois ir caçando as coisas que ele escreveu há anos até se esgotarem todas as linhas.

    O segundo é o do meu melhor amigo. Chamo atenção para o post mais recente, do dia 08 de setembro, onde ele conta que finalmente descobriu a beleza do jazz, o que me deixa infinitamente orgulhosa.

    Por último, mas não menos importante, vem o do Antônio Prata, que não conheço pessoalmente mas que gosto muito de tudo o que escreve. Recomendo que comecem com este texto.

  2. A Arte e o Bar

    Saturday, September 08, 2007

    (Texto publicado na edição de setembro do jornal Letras do Café)

    Antes de mais nada, desejo compartilhar com os leitores o processo de produção desta coluna. Como os princípios do jornalismo e da literatura me ensinaram, a primeira coisa a ser feita quando se deseja escrever sobre um assunto é entendê-lo profundamente. Pois bem, decidi que o melhor seria embarcar numa viagem etílica pelo bares da vida, claro, pelo bem do jornalismo investigativo. Naturalmente, eu já havia experimentado os prazeres do álcool antes de começar este texto, no entanto, todas as experiências etílicas do passado foram estranhamente apagadas da minha memória, o que me obrigou a empreender uma reunião de outras novas.

    A primeira e mais importante revelação que tive durante esta jornada em busca da Verdade, foi que todos aqueles escritores que se diziam boêmios, que enchiam a cara de absinto esperando a inspiração chegar, são uns grandes mentirosos. Escrever bêbado é impossível. Eu até pensei que faria muito sentido, que seria um tanto quanto metalinguístico e poético escrever alcoolizada sobre bebida, mas quanto mais eu tentava, mais distante de conseguir eu parecia, o que me fazia beber mais para esquecer a frustração, transformando tudo num grande círculo vicioso.

    Mesmo que a vontade de escrever aproveitando o calor do álcool exista, a necessidade de procurar por uma caneta e um papel faz o individuo desistir da empreitada em dois segundos para perseguir outra coisa mais interessante como, por exemplo, divagar sobre o quanto considera os amigos de bebedeira ou planejar a sua próxima ida ao banheiro (o que, para um bêbado, consiste em uma epopéia complexa e arriscada, especialmente se o alcoolizado encontra-se em um lugar público e é do sexo feminino).

    Debatendo sobre esse assunto com um amigo de bar (os melhores que um boêmio pode ter, depois do bartender, é claro), chegamos à conclusão de que a turma do absinto certamente contratava um estagiário encarregado de estenografar todas as conversas e inspirações etílicas.
    Pensando assim, a teoria de que os artistas que são contemporâneos influenciam uns aos outros e os movimentos surgem em grupos de amigos, etc., cai por terra. A explicação para a semelhança de tom entre escritores e pintores é muito mais simples: o estagiário era o mesmo.

    Ora, ser um estagiário de Baudelaire não deveria ser coisa fácil e, como bem sabemos, artistas nunca foram exatamente bem pagos e ricos, portanto, concluo que a profissão ingrata de escritor dos escritores não deveria ser uma carreira muito atraente para jovens letrados, o que me leva a acreditar que os profissionais da palavra, muitas vezes, dividiam o mesmo estagiário.
    Consigo até imaginar o Lord Byron escrevendo para Mary Shelley: “Mary, tem como você trazer seu estagiário pra Suíça, ainda não consegui encontrar nenhum que tenha me agradado aqui.” Ou, entre os pintores, Van Gogh dizendo: “Paul, encontrei um cara aqui em Arles que é ótimo, não precisa trazer o seu quando você vier. Só tem um problema: ele gosta muito de amarelo. Traga um bom estoque desta cor.”

    Penso também que deveria ser uma profissão com alto nível de insalubridade: além ter que acompanhar estes notáveis artistas em suas rondas noturnas sabe se lá por que tipo de ambiente e ter que levar o seu patrão em casa (suponho que, em várias ocasiões, carregando-o no colo), o estagiário corria um sério risco de cair em tentação e acabar destruindo a sua carreira para sempre. E tenho certeza que nenhum deles tinha plano de saúde ou direito a seguro desemprego.

    Imagine Hemingway, indignado, conversando com Fitzgerald: “Scott, você não acredita. Gertrude esteve secretamente pagando drinks para o meu estagiário e agora ele virou alcoólatra.”“Ah, Ernerst, essas feministas são impossíveis. Preocupa não que eu divido o meu com você.”

    Infelizmente, nos dias de hoje, a tecnologia tornou extinta esta profissão tão nobre. O artista boêmio, agora, pode se dispor de vários recursos tecnológicos que facilitam o encontro com a sua musa. De qualquer maneira, utilizando estagiários ou não, é fato que a grande maioria dos escritores e pintores bebiam. Muito. Com tanto álcool permeando a história da arte, fica difícil pensar que a bebida deve ser evitada. A presença dele como protagonista na produção de tantos clássicos me faz não ter dúvidas de que já fez mais bem do que mal. Como disse uma vez Dorothy Parker, de maneira abslutamente intraduzível: “I'd rather have a bottle in front of me, than a frontal lobotomy.”

    Para finalizar, convido você, leitor, a erguer o seu copo e fazer uma homenagem silenciosa não só ao álcool em si, mas também a fazer um brinde tardio a todos aqueles nobres profisionais que sacrificaram suas vidas, mantendo-se abstêmios e ocultos, em busca de um objetivo maior. Tin-tin.

  3. A morte do roqueiro

    Monday, August 27, 2007

    Publiquei, Alto-Falante, um texto com as dez mortes mais rock'n'roll da história. O Daniel também publicou uma lista dele sobre o assunto.


    A morte do roqueiro

    A morte, tema recorrente em músicas de todos os estilos ao longo da história, é ainda, em pleno século XXI, um assunto tabu na vida social. Não se discute morte em mesas de bar. Pessoas que planejam o casamento desde antes de saberem se querem casar ou não, nunca se lembram de pensar em como vai ser o próprio velório.

    Pois bem, eu, que já organizei o meu funeral e não tenho problema nenhum em discutir assuntos nefastos onde quer que seja, penso que, como a música pop é recheada de alusões à morte e a auto-destruição é característica inerente a qualquer roqueiro que se preze, os nossos ídolos musicais deveriam ter uma morte à altura de sua arte. Claro, a sorte nem sempre favorece a todos, mas, no rock, temos uma grande quantidade de gente que morreu como merecia: no melhor e mais oldschool estilo rock’n’roll.

    Sem mais delongas para esta introdução extraordinariamente comprida, vamos, de uma vez, aos fatos. A lista a seguir - que encontra-se em ordem cronológica – contém as dez mortes mais legais da história da música. Perdoem-me as omissões que ocorrerão por culpa da minha ignorância ou falta de sensibilidade.

    Richie Valens (1941-1959) + Buddy Holly (1936-1959) – Acidente de avião que matou quatro músicos de uma vez. Ganhou um dia especial, descrito, anos depois, por Don McLean, como “the day the music died”. Apesar de ser o terceiro maior clichê assassino entre músicos (perdendo apenas para overdose e suicídio), o acidente fica registrado pela quantidade e qualidade perdidas de uma só vez.

    Mama Cass (1941-1974) – Uma morte cheia de mitos. Eu mesma já ouvi pelo menos três versões da história. O fato é que Cass sofreu um infarto depois de comer um sanduíche de presunto (com o perdão do trocadilho) que, dizem, foi o gatilho para o mal estar: reza a lenda que o mortal lanchinho disparou uma descarga elétrica na cantora.

    Keith Moon (1946-1978) – Morreu do maior de todos os clichês - a overdose. No entanto, sua morte ficou marcada por uma ironia interessante: Moon morreu semanas depois de lançar o álbum “Who are you”, onde aparecia, na capa, sentado numa cadeira com os dizeres: "Not to be taken away".

    John Lennon (1940-1980) – Preciso comentar?

    Marvin Gaye (1939-1984) – Foi assassinado. Pelo próprio pai.

    Chet Baker (1929-1988) – Foi encontrado morto, de madrugada, sozinho, na rua embaixo do quarto de hotel onde estava hospedado em Amsterdan. Não se sabe ao certo se Chet defenestrou-se ou foi defenestrado e nunca nada foi provado nesse sentido.

    Jeff Buckley (1966-1997) – Durante um passeio norturno às margens do Wolf River Harbor, rio afluente do Mississippi, Jeff decidiu dar um mergulho e afogou-se. Seu corpo ficou perdido durante três dias até ser encontrado por um turista. Para alguns pode parecer normal, mas, tratando-se de Jeff Buckey, não consigo imaginar uma morte melhor do que um afogamento. Fica registrada aqui pelo romantisco e sutileza e porque não poderia combinar melhor com a vítima.

    John Denver (1943-1997) – Apesar de ter morrido de acidente de avião, Denver entra nesta lista porque escreveu “Leaving on a jet plane”. Mesmo tendo lançado a canção anos antes da morte, vale pela ironia.

    Mark Sandman (1952-1999) – O líder da banda Morphine morreu de ataque de coração em cima do palco. Talvez um dos mais sortudos da lista, faleceu fazendo o que gostava, durante uma apresentação na Itália.

    Elliott Smith (1969-2003) – O mais macho de todos. Depois de uma peleja conjugal, a namorada de Elliott trancou-se no banheiro. Enquanto isso, o compositor se esfaqueava na sala usando uma faca de cozinha. Foram duas investidas contra o peito, o que me parece surpreendente, porque, se só a primeira já exigiria um movimento complexo, a segunda, imagino, não deve ter sido nada fácil. Um samurai contemporâneo.

  4. Remarcar com a Gol

    Tuesday, July 24, 2007

    - BRA, Davi, boa noite.
    - Alô, eu gostaria de confirmar se um vôo vai chegar no horário.
    - Qual é o número do vôo?
    - O 7553, vindo de Madrid.
    - Não, ele está com atraso, consta aqui que ele deve chegar 12:40.
    - Olha só, mas é o seguinte: os meus pais estão neste vôo e têm passagens da Gol para as 10:30. Como que faz?
    - Eles tem que remarcar com a Gol.
    - Sim, mas assim eles vão perder o vôo. E vão ter que pagar de novo?
    - Tem que remarcar com a Gol. A BRA não vai remarcar com a Gol.
    - Eu sei que não, acontece que o vôo atrasou e eles vão perder por causa disso.
    - É, mas mesmo que o vôo chegasse no horário, eles já perderiam de qualquer jeito.
    - Não, porque ontem ele foi remarcado e já sairia com quatro horas de atraso. E agora você me informou que ele vai atrasar, ao todo, seis horas e meia.
    - Bom, então teria que remarcar com a Gol.
    - Sim, mas, nesse caso, a responsabilidade do atraso é de vocês aí da BRA. Vocês obviamente não irão remarcar com a Gol, mas tem que providenciar a volta deles. Não é o correto a se fazer?

    Ele emudeceu.

    - Alô?

    tu tu tu tu...

  5. Música Potencial

    Monday, July 23, 2007

    O Leo e uns amigos dele se juntaram para criar um blog bem legal. O nome é Música Potencial e trata basicamente de fazer listas de músicas. A inspiração está explicada aqui. Desde que a idéia começou, eu não paro de fazer listas e vasculhar o meu iTunes atrás de músicas com, por exemplo, a cor azul no nome. Já até fiz uma colaboração. Recomendo.

  6. Thursday, July 19, 2007

    Navegando pela Folha Online, me deparo com a seguinte matéria (transcrevi só a metade, que é o que interessa):

    Comissária da TAM diz não ter medo de voar pois tudo tem sua hora certa

    DÉBORA BERGAMASCO
    da Folha Online

    Um grupo de quatro comissárias de bordo da TAM caminhava na manhã desta quinta-feira pelo aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), em direção ao local do acidente com o vôo 3054 da companhia, ocorrido na noite da última terça-feira (17), quando foi abordado pela reportagem da Folha Online.

    Uma delas, que não quis se identificar, tentou mostrar tranqüilidade dizendo que não estava com medo de voar porque cada um tem sua hora de morrer. "Foi como meu comandante disse: 'Peru não morre na véspera'."

    [...]


    Olha, pelo pouco que eu sei sobre o mundo, o peru é dos primeiros a morrer quando se fala em véspera.

    É como diz o Daniel: "Eu acho que não tem nada de errado na pessoa ser burra, só acho que elas deveriam evitar fingir que não são."


  7. Dorothy Simpson

    Wednesday, July 18, 2007

    Aproveitando essa onda dos avatares personalizados dos Simpsons, meu amigo Daniel desenhou este meu. Adorei.




  8. .....

    Sunday, July 01, 2007

    Ele disse que trabalhava com fotografia e eu respondi que não confiava em fotógrafos. Ele apelou e me acusou de ser muito contemporânea.

    Posso ser contemporânea. Mas pelo menos não sou artista.


  9. La dolce (e calda) vita

    Tuesday, April 24, 2007

    Uma mulher decidiu dar um mergulho semana passada na Fontana di Trevi, em Roma. Tudo bem, ela não era nenhuma Anita Ekberg e estava pelada. Mas foi ovacionada mesmo assim.

    A notícia em inglês.

    A notícia em italiano.

    E, claro, como não poderia faltar, o vídeo.

  10. O Gráfico da Culpa

    Monday, April 09, 2007

    (Atendendo ao pedido do Gabriel)


    Depois de uma péssima noite de sono, entrecortada por sonhos estranhos que fariam cair o queixo de Luis Buñuel e preocupações que transformariam a história de Poliana numa simples comédia romântica, acordei atrasada para uma prova final importante.

    Antes de continuar a minha saga, desejo fazer uma breve pausa para um protesto. Não consigo compreender a mente de quem inventou essa história de que aulas devem começar às sete da manhã. Nem as aulas, nem o Papa, nem o John, nem o Paul, nem o Ringo (muito menos ele), enfim, nada nesse mundo deveria obrigar alguém a acordar a essa hora da madrugada. Estou certa de que o primeiro babaca que ditou essa regra era alguém que sofria de uma histeria tão profunda que provavelmente nem Freud, Adler e Jung juntos dariam conta, e mais problemático que este detestável indivíduo somente os outros que apoiaram a idéia.

    Como o perspicaz leitor já deve ter notado, eu não sou muito fã de acordar cedo. E foi enquanto eu dirigia para a faculdade hoje de manhã, me ocupando de driblar a minha ira contra esta imposição lamentável da vida acadêmica, divagando ao redor do sonho de um mundo ideal habitado de semelhantes notívagos, que eu fui parada numa blitz.

    Devo reconhecer que a minha direção não é exatamente a que se usa chamar de defensiva. Ao contrário, confesso que já excedi a velocidade, passei por incontáveis sinais amarelos e alguns outros vermelhos, estacionei na calçada e parei em faixas de pedestres. Resumindo, tudo o que um motorista sem educação já fez e, caso o leitor esteja se perguntando, não, não acho isso nada bonito. Mas uma infração que nunca cometi foi deixar de carregar comigo os documentos do veículo e minha habilitação.

    Infelizmente um sujeito chamado Murphy inventou uma teoria que se comprovou mais uma vez quando me peguei desprovida pela primeira vez dos documentos que a lei exige do condutor.

    Rodeada de policiais militares exibindo metralhadoras e armas de fogo que ignoro o nome (sendo esta, diga-se de passagem, uma das poucas ignorâncias minhas de que me orgulho e faço questão de preservar intacta), tentei explicar para a policial de unhas vermelhas, a Nilméia, que eu poderia ligar para casa e pedir a alguém para trazer o documento, que eu estava atrasada para uma prova importante na universidade, que estava tudo em dia, que eu era devidamente habilitada e esse tipo de conversa que a gente é obrigado a ter quando se vê envolvido em uma situação dessas.

    Depois de muitas tentativas de explicação, discussões com outros policiais acerca do meu caso, telefonemas para o que eles chamavam de central, consultas a outra central sobre a atitude certa a tomar com placas de outro estado (que é o meu caso), mais conversas entre eles e quarenta minutos de espera estressante que certamente fariam crescer alguns centímetros do buraco da minha úlcera, se eu tivesse uma, finalmente fui multada e liberada para ir embora.

    Absolutamente indignada por ter levado uma multa depois da confirmação de que o veículo era mesmo meu e que as contas estavam em dia e que a minha recém-renovada carteira só vence em 2010 e que o único erro que cometi foi o de esquecer o documento justamente por estar preocupada com a prova já mencionada e a essas horas perdida, decidi que precisava me pronunciar.

    - Policial Nilméia, eu gostaria de protestar.
    - Pois não.
    - O motivo pelo qual eu não estou carregando meus documentos é, na verdade, mais culpa da senhora do que minha. Explico: eu não me sinto segura deixando os documentos no carro, porque sei que a qualquer momento ele pode ser roubado, como aconteceu com um tio e um primo só neste último semestre. Também não levo sempre a minha carteira de motorista na bolsa, porque caso eu seja assaltada, como já aconteceu duas vezes no último ano, serei novamente obrigada a refazer os meus documentos, sendo que a licença de motorista sozinha, custa quase cinquenta reais. Deixo sempre, portanto, o documento do carro e a carteira juntos e, como este carro é usado por duas pessoas na minha casa, cada vez que alguém vai sair, deve lembrar de pegar o documento do carro. A senhora e todos esses policiais aqui, por sua vez, enquanto poderiam estar prestando os serviços para os quais foram inicialmente contratados - tentando evitar roubos e assaltos - estão ocupados em distribuir multas para quem teve um lapso de memória. Reconheço, no entanto, que a senhora provavelmente obedece ordens, e não está aqui multando pessoas porque quer. Portanto, se vivéssemos em um mundo ideal e a culpa viesse em gráficos, acredito que a senhora, os policiais aqui presentes, os seus superiores, os superiores deles e eu, deveríamos todos dividir o valor da multa e acho, honestamente, que a parte que me caberia pagar seria a menor de todas.
    Tenha um bom dia.